A BIBLIOTECA NO CENTRO DA CIDADE – ENTREVISTA COM MORGANAH MARCON

Situada próxima ao quadrilátero formado em torno da Praça da Matriz, em Porto Alegre, no qual se reúnem os principais poderes de Estado e eclesiais, a Biblioteca Pública do Estado não constitui um poder à parte (talvez devesse), mas integra-se a uma imagem do Centro Histórico da cidade que se reveste em importância histórica. Quase ao lado do Teatro São Pedro, o prédio é ainda imponente, apesar de que hoje cercado por arranha-céus de gosto arquitetônico duvidoso. Na Riachuelo, em outros tempos denominada a “rua dos livros”, o prédio erguido em 1912 sobrepunha-se às demais livrarias e sebos que abriram suas portas ao longo da rua. Hoje é uma rua próxima, a Cel. Fernando Machado que leva esse nome pela mesma razão. A Biblioteca Pública do Estado, no entanto, continua no ponto mais alto da Riachuelo, como a reivindicar permanentemente sua relevância na vida cultural da capital. À frente da instituição há 16 anos, Morganah Marcon concedeu entrevista à Sepé para contar dos projetos, dificuldades e alegrias que têm feito sua história institucional e pessoal. Em 2021, a Biblioteca Pública do Estado completará seu sesquicentenário e sua presença representa tanto um passado no qual o livro teve seu apogeu quanto o futuro e os desafios futuros da conservação literária e do fomento à leitura.

Este ano é véspera do sesquicentenário da Biblioteca Pública do Estado (BPE) e imagino que muito da programação planejada precisou ser redimensionada em função da quarentena do coronavírus. Mesmo assim, tenho acompanhado o envolvimento das pessoas nas redes sociais e, mesmo sabendo que é incomparável à presença física, gostaria de saber como avalia o impacto da pandemia na programação da BPE e estas formas “alternativas” de envolvimento. Caso se confirme o resultado de alguns estudos, este impacto se estenderá por muito tempo ainda, como a BPE está se organizando para enfrentar esse período?

Desde 2015, quando retornamos ao prédio histórico, a biblioteca vinha com um planejamento de expansão da clientela. Em 2016, iniciamos o projeto Chapéu Acústico que trouxe outro tipo de público para a biblioteca, com gosto musical diferente do erudito, até então o principal gênero musical de nossa programação, por meio do projeto Recitais Mourisco acontecendo a cada segundo domingo do mês, além da parceria com a Escola de Música da OSPA todas as primeiras quartas feiras do mês, à noite.

As atividades do clube de leitura também se diversificaram, trazendo escritores e pessoas da área de literatura para debates, painéis e o cinema como aliado aos painéis. As feiras de quadrinhos e artes (Feira Órbita) trouxeram mais jovens para a biblioteca e assim eles puderam expor seus trabalhos, falar sobre quadrinhos, propiciar oficinas de desenho, mangás, entre outras atividades. Era uma alegria ver a biblioteca cheia diariamente e o Salão Mourisco lotado a cada nova programação.

A quarentena nos pegou desprevenidos. Estávamos construindo o projeto da gibiteca (inclusive já temos o acervo) e organizando um grande evento que envolveria outras instituições do Centro Histórico de Porto Alegre para, assim, trazer ainda mais jovens para a biblioteca. Por outro lado, a pandemia nos mostrou que devemos mais do que nunca pensar o digital. Bibliotecas acessíveis são aquelas que todos podem se beneficiar, em meio físico ou não. Já fizemos, anos atrás, projeto para digitalização do acervo histórico, mas não conseguimos captar. Estamos encaminhando novamente esse projeto. Algumas atividades podem ser mantidas e continuam, como agora, desenvolvendo-se em plataformas digitais, vídeos e lives. São leituras, palestras, cursos, música e assim por diante. A biblioteca precisa se reinventar. Já há uma nova versão do vírus na China e não há previsão de vacina. Talvez ainda tenhamos muito tempo de quarentena e cuidados pela frente, precisamos nos preparar.

No que diz respeito à circulação, as instituições estão organizando um plano de retomada gradual ao trabalho físico, com todos os cuidados possíveis: agendamento de pesquisa individualizado e empréstimos mediante solicitação prévia. O leitor apenas retira o livro, não circula entre as estantes. E outras medidas como essas.


A BPE tem conseguido a proeza de mobilizar as pessoas a frequentar o Centro Histórico da capital pela noite por meio da realização de atividades musicais no Salão Mourisco, como o Chapéu Acústico, além de atividades especiais com escritores. De certo modo, são investimentos que demonstram a disposição de valorizar os equipamentos culturais públicos e o próprio espaço de convivência da biblioteca. Como é sua avaliação dessas atividades e da mobilização em torno ao reconhecimento da biblioteca como espaço cultural da cidade? 

A programação desenvolvida pela biblioteca vem marcando culturalmente seu espaço na cidade, no estado e eu diria também no país, por conta de diversos elogios que temos recebidos de bibliotecários e visitantes de outras regiões. A comunidade apoia e participa ativamente das atividades e projetos da biblioteca, reconhecendo sua importância e o seu valor. No ano passado, por exemplo, recebemos de bisnetos de Borges de Medeiros peças de mobiliário da que lhe pertenceram para ser exposto na Biblioteca, pois confiaram que o prédio, mobiliário e o acervo estão sendo bem cuidados pela atual gestão, que já está à frente da instituição há 16 anos. Outros apoiadores em diferentes áreas também auxiliam a biblioteca. A mídia dá grande espaço para nossas atividades, temos apoio de entidades da área do livro, leitura e bibliotecas, além de reconhecimento nacional. A maioria da comunidade apoia, sugere, participa de diferentes formas, reconhecendo como um importante espaço cultural de nosso estado.

E como foi estar dirigindo a BPE no período de reformas? Recentemente, uma reportagem do jornal Zero Hora foi publicada acusando alguns problemas de manutenção. O quanto te ocupa, como gestora, o gerenciamento da problemática de administrar um prédio histórico e, ao mesmo tempo, dar conta de atender o público e demais atividades de promoção?

O prédio da biblioteca não passava por uma grande reforma há anos, estava com diversos problemas estruturais. Poder construir e executar o projeto de reforma do prédio foi maravilhoso e, ao mesmo tempo, um grande aprendizado sobre peculiaridades desse rico patrimônio histórico de nosso estado. O prédio hoje não possui problemas estruturais e a manutenção se dá na medida do possível, devido aos poucos recursos existentes na cultura, porém com o apoio de nossa Associação de Amigos muito vem sendo feito.

As pessoas querem ver o prédio “bonito”. Olham para as pinturas murais e acham que nada foi feito. Não fazem ideia do quanto foi realizado: restauro de elementos da fachada, pisos, entre pisos, novas tubulações e fiação elétrica, incluindo o preparo para instalação de ar condicionado, hidráulica, tubulações de água e esgoto, substituição do entre piso de madeira que estava completamente tomado por cupins por um material inerte (esse problema não teremos mais), restauro de aberturas, recolocação dos vidros originais, além da estabilização da pintura do Salão Egípcio, que será o primeiro a ter sua pintura mural restaurada.

Como gestora, estou sempre pensando e construindo projetos e buscando parcerias para dar continuidade ao restauro do prédio e implantar melhorias na programação e serviços. Além disso, muitas vezes tenho que mostrar, por meio de fatos, tudo o que fizemos e ainda faremos para algumas pessoas que, por falta de informação, acreditam que a biblioteca está vazia ou mal cuidada. E, felizmente, acabo sempre fazendo-as mudar de opinião. Muitas pessoas não fazem ideia das dificuldades enfrentadas ao longo dos anos: falta de verba, falta de apoio político, interesses de alguns gestores que se sobrepõem a projetos coerentes e bem embasados… E, mesmo com tantas barreiras, seguimos fazendo muito: buscando parcerias, fazendo projetos, lotando a biblioteca, criando novas estratégias para atrair público, ampliando e qualificando o acervo e aumentando a oferta de serviços e programação cultural. Tudo isso com quase zero de recurso financeiro e uma equipe reduzidíssima.


Falando em promoção, além de dirigir a BPE, tu fazes a coordenação do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas. Em algumas palavras (se for possível), como avalia a situação das bibliotecas do interior do estado? Os programas e políticas públicas têm chegado lá?

O Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas assessora os municípios desde a implantação de bibliotecas até sua modernização. Oferece treinamento, capacitação para suas equipes e repassa kits de livros para estas bibliotecas. Nosso maior problema é a constante troca de responsáveis, seja pela Secretaria de Cultura ou pelos responsáveis pelas bibliotecas. Na maioria das vezes, ainda são cargos políticos. Não há profissionais (bibliotecários) concursados em todas.

Além disso, todo os anos temos de fazer a atualização cadastral das bibliotecas do sistema. Já aconteceu diversas vezes de um município ter sido contemplado em um edital do estado e, no meio do processo, acontecer a troca da equipe e a biblioteca perder o recurso financeiro porque perdeu o prazo para o envio de documentos. O maior problema é a falta de continuidade. Outro problema é que ainda alguns gestores não dão importância para esse espaço cultural e de informação tão importante para a comunidade: fecham a biblioteca, se desfazem do acervo, não investem ou, pior, colocam aquela pessoa que não para em lugar algum lá na biblioteca, para não incomodar (sim, ainda acontece isso!).

Coordenei o Sistema de Bibliotecas de 2003 a 2010. Implantamos mais de 150 bibliotecas no estado. Havia apenas um município em 2010 que não possuía biblioteca pública. Qual não foi minha surpresa, ao retornar à coordenação do Sistema em 2015, ao ver que 38 municípios já não possuíam bibliotecas. Tivemos que retomar o diálogo para poder reabri-las e ainda não conseguimos que todas voltassem a funcionar. Tanto o estado quanto o governo federal (este até 2018), propiciaram projetos e editais que beneficiaram as bibliotecas municipais. Os programas e políticas ainda chegam ao interior, sim.


Uma das preocupações de muitos escritores e intelectuais é quanto a conservação de seus acervos bibliográficos. A BPE tem uma valiosa coleção de obras raras e, por outro lado, limitações evidentes de espaço para abrigar coleções volumosas. Como a BPE e bibliotecas em geral podem fazer o milagre de, com restrições orçamentárias e materiais, contribuir na preservação de bibliotecas e arquivos pessoais?

A BPE hoje não tem condições de receber coleções particulares, acervos volumosos. Não há espaço físico para isso. O prédio é muito antigo e o acervo cresceu muito ao longo dos anos. O que temos feito para conservar as coleções existentes é buscar recursos através de parcerias ou projetos. Em 2007, higienizamos e acondicionamos todo o acervo de obras raras através de recursos recebidos em um edital do BNDES. Na época, adquirimos uma mesa de higienização e outros materiais de higienização e restauro que até hoje são utilizados pelo setor de conservação e restauro da biblioteca. Esse setor também oferece cursos ao público em geral, ensina como conservar acervos e realizar pequenos reparos em livros danificados. Ainda há que se fazer a climatização do acervo e do prédio, pois as janelas e portas ficam abertas e a poeira danifica os livros. Esse projeto já está sendo finalizado para ser encaminhado às leis de incentivo.


E a questão tecnológica? Como avalia o impacto de uma sociedade que cada vez parece estar mais em casa em relação ao universo da leitura? A BPE chegou a abrigar a sede do governo do estado, durante o mandato de Borges de Medeiros e viveu o tempo em que o Centro aglutinava a atividade comercial da cidade, como é hoje o público da BPE?

O público atual da BPE é formado em sua grande maioria por moradores do entorno, aposentados e donas de casa que vêm até a biblioteca para ler ou retirar livros por empréstimo. Em seguida, estudantes e pesquisadores em geral que acessam os setores de referência e do RS.

Nas atividades culturais oferecidas, o público é imenso e bem diversificado: jovens, adultos ou crianças, a depender da atividade oferecida. Muitos jovens trazem seus notebooks para estudar no local beneficiando-se do wi fi gratuito. Outros trazem o celular e se conectam as redes sociais, também usando nosso sinal. O prédio, por ser histórico e antigo, tem seus espaços um tanto limitados. Não temos salas para cursos e o nosso único espaço de eventos hoje é o Salão Mourisco. Outros espaços são usados somente para exposições. Por suas características, não há como construir salas ou mezaninos: o prédio é tombado em nível estadual e federal. Isso limita também a implantação de novas tecnologias, além do pouco espaço existente para tanto.

O prédio é de 1912. A população cresceu, o acervo, os serviços, mas o prédio não. Na verdade, ele já extrapolou sua capacidade de espaço. Necessitamos um novo prédio, uma biblioteca moderna, acessível, com muitas salas e espaços para cultura, arte e leitura. Já tivemos dois ou três encaminhamentos quanto a isso em diferentes governos, e todos esbarraram na falta de recursos financeiros do estado. Agora, autorizados pela secretária Beatriz Araújo, estamos novamente em busca de um anexo para a biblioteca, pois aqui não há como crescer, receber novos acervos ou implantar novos serviços.

Embora muitos acessem e-books, façam pesquisas pela internet, ainda assim mantemos um bom público presencial. Claro, perdemos também em função da tecnologia, mas recuperamos grande parte nos eventos e atividades oferecidas. E o prédio é muito visitado por turistas devido à sua beleza arquitetônica. Muitas visitas guiadas são agendadas para escolas e grupos daqui ou de fora do estado e do país.

E a recorrente discussão em torno ao “fim do livro”? É o livro uma tecnologia ultrapassada ou este é um argumento de quem não valoriza tanto a leitura assim? Já li um autor defendendo a ideia de que o encolhimento das bibliotecas se deve a uma defasagem social no hábito de leitura, todavia todas as economias emergentes investem e não pouco em grandes bibliotecas e conservação de acervos. Que tu pensas a respeito disso tudo?

Sempre fui uma defensora do livro impresso. Sempre.

Não há melhor sensação do que cheiro de livro novo. Ou velho. Cheiro de livro é tudo de bom. Tocar, apalpar, colocar marca-páginas, sublinhar, riscar (eu não faço isso, odeio, mas tem quem goste). Adoro comprar livros novos, vasculhar saldos na Feira do Livro. Adoro ir atrás de raridades para o acervo da Biblioteca do Estado. Sou ciumenta demais com meus livros. Empresto alguns, não todos, mas com a promessa de que irão voltar. Nunca esqueço um livro emprestado.

Assim como eu, muitos por aí.

Não consigo ler um livro digital. Não gosto de ir para a cama com um tablet ou um celular e ficar lendo um maravilhoso livro. A luz da tela me incomoda, mesmo estando baixa. Cansa a vista. Não consigo marcar onde parei. E não tenho como expor aquele livro que me encanta, nas prateleiras da minha biblioteca. Amo livro impresso. Quem gosta de ler, sente um afeto físico pelos livros, pelo papel. Penso que nunca deixarão de existir.

Houve um boom pelos livros digitais, anos atrás. Em seguida, vimos uma queda brusca na venda de e-books e o livro impresso se reafirmando, muitos títulos sendo lançados, muitas editoras trabalhando com impressão sob demanda. Segundo a ABL, apenas 27% das livrarias comercializam conteúdos digitais. 54% desejam comercializar, mas ainda não o fazem, seguem na venda de livros impressos.

Infelizmente, no Brasil, nem todos ainda têm acesso à internet e tecnologias para leitura de textos digitais. O livro impresso ainda é a única realidade. Por isso a importância das bibliotecas. Seja para disponibilizar o livro impresso, caro ainda para grande parte da população, como para disponibilizar equipamentos para leituras digitais, bem como para promover atividades de incentivo à leitura.

Pensando na questão do espaço físico, principalmente de bibliotecas estaduais, que precisam guardar a memória de tudo o que é publicado sobre o estado e na própria Biblioteca Nacional, que deve preservar as publicações brasileiras, o livro digital e a digitalização de acervos se faz muito necessário! Não há como armazenar toda a produção impressa de escritores gaúchos, por exemplo. É imensa! Além disso, a digitalização de acervos, se bem indexada, facilita a busca por assuntos específicos no interior do livro, sem a necessidade da leitura da obra completa. A digitalização é um grande recurso para o pesquisador.

Quanto à questão da leitura, a última pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (2019), mostrou que poucos brasileiros leem e leem mal. E pior: muitos não interpretam o que leem…

Esse é um trabalho que deveria começar no seio familiar, o primeiro contato com o livro, mas, sabemos que muitos pais não são leitores, então em casa não existe o exemplo. A escola muitas vezes cumpre esse papel, mas nem sempre: há professores que não leem, portanto não há como sugerir boas leituras, trabalhar o gosto pela leitura se não são bons e assíduos leitores. Acredito que a escola deve ser a principal motivadora para a leitura, propiciando o acesso ao livro desde cedo, incentivando, instigando de maneira prazerosa a leitura. Não como obrigação e sim como prazer. A biblioteca escolar deve ser um local atraente, com livros atualizados, com práticas de convivência agradáveis. A escola deve incentivar a visita a outras bibliotecas públicas, motivar a pesquisa no livro impresso, não somente o uso da internet. O Google tem muitas informações, mas nem sempre o estudante escolhe a correta. Muitos sites não são confiáveis e, na biblioteca e com o auxílio do bibliotecário, o pesquisador encontrará a informação confiável, em sites confiáveis e atualizados. Por isso a importância do investimento em bibliotecas. É o local mais democrático para o acesso à informação e leitura. Ainda há pouco investimento em bibliotecas e a cultura segue sendo o primo pobre dos governos, infelizmente.

A leitura é imprescindível. O conhecimento é imprescindível. O acesso à informação e leitura é essencial, para que todos saibam argumentar e saibam votar. Votar bem.

As bibliotecas irão sobreviver. O livro impresso irá sobreviver. Não contem com o fim do livro.


Fala um pouco das tuas alegrias e decepções nesse período a frente da BPE. E das tuas expectativas em relação ao período pós-pandemia. Vamos ver a BPE novamente protagonizando a revitalização do Centro Histórico da capital, como vinha fazendo? E, se mesmo assim há projetos em curso, conta a respeito deles também?

São 16 anos à frente da BPE. Quatro governos diferentes. Nem sempre a biblioteca foi prioridade. Cada governo escolhe a sua prioridade. São 16 anos de luta, projetos e mais projetos. É cansativo. A cada quatro anos, temos de mostrar porque a biblioteca é importante. Quase nunca há recursos disponíveis. Quando há, a prioridade é outra. As equipes diminuem a cada governo. Primeiro cortam os cargos comissionados, depois as vagas de estagiários, terceirizados, aí não pagam direito, muitos fazem outros concursos e saem do estado, outros tantos se aposentam…

O estado vem afundando economicamente há anos e a cultura quase nunca é prioridade. Isso decepciona, mas não desistimos. Há muitos anos a nossa programação é desenvolvida através de parcerias, do toma lá dá cá, ou através de projetos. Temos muitos apoiadores e isso nos anima. Dá vontade de continuar, lutar, nunca parar. E o nosso público agradece. Eu amo o que faço, amo fazer parte dessa história e fico sempre inventando, criando novas formas de atrair público para a biblioteca, e a equipe pega junto, se mantém firme porque também ama ver a biblioteca cheia.

Essa pandemia de agora foi um baque. Estávamos num ritmo maravilhoso e pensando novos projetos, como já citei alguns aqui. Não vemos a hora de voltar. Claro, não poderá ser como antes. Infelizmente não veremos as 65 cadeiras do Mourisco cheias, mais umas 40 pessoas em pé ou ao redor das janelas e até sentadas na frente, no chão. Teremos que distanciar as mesas, limitar a entrada de pessoas, usar máscaras, propés, higienizar os ambientes, mobiliário, a pesquisa terá que ser agendada e individual, não mais em grupos. Os jornais do dia não poderão ser lidos, porque não há como higienizá-los diversas vezes num único dia. Teremos que pensar no digital, disponibilizar links para que, quem puder, acesse do seu equipamento ou do seu celular, presencial ou remotamente. Mas sabemos que será por um tempo, não muito curto, infelizmente. Talvez possamos retornar à normalidade algum dia e ver novamente ela cheia de vida. Assim espero.

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