OHBLACKBAGUAL – PELA ÚLTIMA VEZ, DE BEBETO ALVES

Realmente não poderia não ser de uma fita K7 que o compositor e cantor uruguaianense Bebeto Alves recuperaria o material de um de seus dois mais recentes (e, de acordo com ele, finais) lançamentos em disco. Antes de lançar em 1981 o homônimo Bebeto Alves, seu primeiro disco solo, Bebeto (como qualquer pessoa naquela época) por certo teria guardado consigo nos portáteis dispositivos magnéticos muitos registros. Alguns de que nem se lembrava mais. Foi numa dessas fitas que o produtor Marcos Abreu, que também trabalhou em OHBLACKBAGUAL – Pela Última Vez, descobriu no registro, além da canções inéditas, surpresas como parcerias com Nico Nicolaiesky e outros registros caseiros que guardam em muito a sonoridade do grupo Utopia e do seminal Paralelo 30.

Intitulado Salvo, igual a uma das faixas do disco, trata-se talvez dos primeiros registros de canções que mais tarde foram gravadas. Amarelua, Fogueirais, Raiar e De um bando estão entre elas. De valor documental e certamente sentimental, Salvo é registro do início da carreira de Bebeto que, aos 65, anuncia também que está agora, em 2020, encerrando a produção de discos com o duplo lançamento. O segundo disco do lançamento de Bebeto, OHBLACKABAGUAL – Pela Última Vez, é exemplar do que Bebeto tem feito com a milonga, universalizando o estilo tradicionalmente platino e incorporando-o definitivamente no cancioneiro popular brasileiro.

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Abaixo, segue apresentação dos discos
no texto do produtor Marco Lopez.

“Estamos saindo com dois discos, significando dois tempos diferentes: um representando o início de tudo, talvez, verdadeiramente, o primeiro disco de Bebeto Alves, por se tratar de uma gravação descoberta por Marcos Abreu, de uma fita K7, que foi feita entre o disco Paralelo 30 de 1978 e o Bebeto Alves de 1981, disco lançado pela gravadora CBS pelas mãos do produtor Carlos Alberto Sion. Esse disco, intitulado SALVO (nome de uma das canções inéditas) traz muitas surpresas, entre elas uma participação do Nico Nicolaiewsky, que fez parte da última formação do grupo Utopia, ainda em 78 e depois continuou, por pouco tempo, trabalhando com Bebeto. São desse período essas gravações com o Nico tocando o seu piano wurlitzer e gaita. São dez músicas inéditas que estavam perdidas, esquecidas mesmo pelo próprio Bebeto e mais quatro canções que entraram nos discos posteriores: as primeiras gravações de De Um Bando, Fogueirais e Raiar, músicas que compuseram o disco de 81 e Amarelua do disco Notícia Urgente de 83. Gravações caseiras, com exceção dessas que tem a participação do Nico, todas são apenas de voz e violão, o que confere ao disco o caráter documental, de, para onde apontava a música de Bebeto Alves naquele período inicial.

OHBLACKBAGUAL – Pela Última Vez é um disco com uma sonoridade rica e ondulante, mas denso, significativo do momento de maturidade de Bebeto Alves. O disco se lança a esse início comentado antes, pois está umbilicalmente ligado a ele. Usa como referência o disco de 81 e o primeiro BLACKBAGUALNEGOVEIO de 2004, e, se propõe a ser um disco que encerra um ciclo do artista, o último disco. Os motivos são muitos, entre eles o que mais pesa é a mudança de paradigmas no que tange o mercado da música no mundo todo. O fim do disco físico e a afluência das produções digitais, através das plataformas de streaming. O artista acredita que o tipo de narrativa que ele propõe nas suas produções musicais não encontra o espaço que a sua música necessita – de um tempo mais largo para a sua intenção e desenvolvimento. Sabemos que cada vez menos as pessoas ouvem narrativas longas e sim, a metade do que for menos.

Pela primeira vez Bebeto Alves faz um disco só com milongas, um trabalho mais lento, reflexivo. Ao longo do tempo e de sua trajetória ele trouxe esses elementos da nossa cultura regional e misturou com as referências da sua geração e da cultura contemporânea, propondo sempre um renascimento, uma transformação, um outro momento para a sua “milonga nova”. Ao lado dos seus parceiros BLACKBAGUAL, Marcelo Corsetti, Luke Faro e Rodrigo Rheinheimer, com quem tem desenvolvido projetos instigantes nesses últimos 16 anos, grava um disco que já nasce clássico, antológico, por toda a carga emocional e conceitual do trabalho.

O disco tem parcerias com o Raul Ellwanger, canção que abre o disco. Uma gravação de uma canção original de 1979 tirada de um K7 e mantida com o mesmo som sujo do registro precário. De todas as maneiras é essa a música que liga os dois discos. Uma outra parceria com o poeta uruguaianense Nei Duclós, OUTRAS VERDADES. Uma milonga do carioca Rodrigo Maranhão, líder do Bangalafumenga, um dos maiores blocos do carnaval do Rio, intitulada MILONGA, que afirma a ampliação, ou reverberação do gênero para dentro da música popular brasileira, o “desregionalizando”, contribuindo e muito com a proposta e conceito do disco, são alguns dos momentos importantes do disco. Tem duas participações muito especiais de Fernando Corona e Paulinho Fagundes, parceiros importantes na constituição da Milonga Nova, proposta por Bebeto no início dos anos 2000.

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