DE ‘ESQUIZO ILUMINADO: MANUAL POÉTICo DE MEDITAÇÃO’ – SÉRGIO CANARIM

0 – Dói agora
. – Resta aquietar-se
0 – Observar a dor?
. – Dar boas vindas à dor
0 – Não entendo, nós meditamos para acabar com sofrimento!
. – Sim, se negas a dor que sentes no teu ser, ela crescerá dentro de ti

24 de abril de 2007

ficha de ônibus…
respira fundo enquanto é/está/será/sai do corpo.

volto à casa e sinto o gosto da velhice…
o olhar para trás e
ver que tudo é erro e o erro é tudo que temos
sem jamais ser totalmente qualquer coisa
erro ou acerto

O que são erro e acerto?
um passo atrás e são palavras
um passo atrás e são símbolos sem significado
um passo atrás e não existem mais passos
e flutua no universo
e sai dele

entra no nada onde não há entradas ou saídas ou espaço ou tempo
fora fora fora forafora passo atrás frente lado verde
atravessa universos foratrás, oh sem palavras
oh sem dedos para digitar, ó sem gritoalmadesvairiodevaneiogirotonto

Que bola atravessa a janela enquanto sento no muro das lamentações virando a cabeça 180 graus, jamais uma afirmação é absoluta.

Sento no banheiro meu corpo todo treme de veneno; fungos se misturam a outras substâncias no meu estômago; e paredes de palavras rosas verdes amarelas todas néon.

A caída no vazio girando mudando de posição.
Vácuonãovácuoaquémentrealémtranscendental será o chão.

A velhice aos 27 anos enquanto tudo não começa outra vez e tem que valer a pena…

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é separador2.jpg

Nadificar-te-á

A falação mental cessar-se-á
O ego desmanchar-se-á
Teu ser esvaziar-se-á
A consciência por traz iluminar-se-á
O tempo espesso eternidade tonar-se-á
O espaço interno ser-te-á
O êxtase natural dar-se-á
Tremendo e chorando compreender-te-á
A empatia no teu peito como uma flor brotar-se-á

O mistério arrebatar-te-á

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é separador2.jpg

Nadifica-te

Adentraram a escuridão.
Na floresta silenciosa
gotas de orvalho brilhavam
refletindo a parca luz da lua
que em feixes
entre os galhos
-ramificações das árvores-
escassos,
di
ss
i
pa
v
am

se

Num instante todos ficaram imóveis
Ele se afastou do grupo
sentando-se isolado em folhas secas que cobriam o chão

O silêncio ainda inerte expandia o tempo

Com lágrimas nos olhos
deixou-se apoderar
por todo sufocamento do mistério.

Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é separador2.jpg

A gota (inédito)

nasceu de uma transformação
nuvem em água
gás em líquido
Sua essência era tensão
Tensão entre elementos
Tesão indivisível
Dois hidrogênios
um oxigênio
Uma orgia desigual

Seu sentido era a queda
Seu propósito estar sempre caindo
Com seu corpo arredondado
na gravidade dilatava a tensão
Um dia conheceu seu destino
dissolução-chão

Cortando o ar atingia seu gozo
Enquanto a velocidade ia aumentando
seu prazer vinha em ondas
cada vez mais fortes
de êxtase se lambuzava

Toda onda é um movimento
que vai e que vem
quando ela ia
a dor de não mais haver o êxtase
era quase insuportável
quando ela voltava
o prazer o calor a ternura
de estar na crista
arrebatavam seu arredondado corpo

Se jubilava, também, com o sol
seus raios a transpassavam
e seu corpo os dissolvia
em um arco-íris de matizes
Ela era então
o poder
Tão pequenina
mas seu frágil tenso corpinho
o sol dissolvia em cores

Ouvia-se
murmurado pelo vento
que diferentes destinos havia para as gotas
Não só o chão
mas o rio
o mar
e superfícies nas quais se deslizava sem perder a tensão
Todavia
todos os destinos levavam a dissolução
Fosse por separação de seus elementos
fosse por união
fosse como fosse
seu destino era a queda
e sua morte era uma nuvem
Era o ciclo
Nuvem
Ar
Chão
Ar
Nuvem
Assim nascia a gota
Assim ela morria
De seu corpo arredondado
a nuvem extraia
a tensão para criar sua filha
Assim sucessivamente

Até o dia em que as nuvens foram aniquiladas
A matéria
o átomo
e cada gota de elétron
neutrino
quark e seus amigos
divindades mínimas
poesia antiga
deixaram de ser
de seus traços
nasceram seus filhos
e assim eternamente
num incontável

  • como gotas no mar –
    ciclo de possibilidades

Sérgio Canarim é poeta, filósofo e meditador. Lançou em 2015 seu primeiro livro de poemas, “Filhos do Vácuo: Cartas ao homem-Deus”. Dois anos depois lançou sua própria filosofia em “O Absoluto e o Pós-Homem: como-vi-a-ser-Deus-que-ultrapassa-a-si-mesmo”. Discorre sobre a evolução do homem, da linguagem e do pensamento. Explora novos caminhos metafísicos para uma nova humanidade. O autor lançou em dezembro de 2019 seu terceiro livro, “Esquizo iluminado: Manual poético de meditação. O livro traz poemas feitos antes e depois de iniciar a prática meditativa. De forma complementar, traz textos didáticos sobre experiências meditativas. Atualmente, tem um projeto de lives de meditação todo domingo no instagram: @sergio_canarim

🛒 Clique e encomende o seu exemplar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s