‘A GALINHA CEGA’ DE JOÃO ALPHONSUS

Por Lília Sentinger Manfroi

Por que nas Feiras do Livro se vê tantas gentes folheando, acariciando livros? Tá bem, eu sei, você pode responder assim: porque ali só tem livros para vender, ora. Fosse feira de chuchus estariam fincando a unha para saber se é novo.

Ok, folheiam porque querem conhecer alguma coisa sobre os livros que pretendem comprar. Muitos compram pelo título, pelo assunto, pelo tamanho da letra, por indicação de um amigo, outros pela capa e assim por diante. Ah, acredite, tem pessoas que gostam quando tem bastante diálogos, dizem que vai mais rápida a leitura.

Pois este ano a ausência da Feira do Livro de Porto Alegre na praça da Alfândega, por causa da Pandemia do Covid-19, deixou uma lacuna para os leitores.

Em quarentena todos puderam partilhar as atividades virtuais ou procurar em casa aquele livro que você ama e alerta na primeira página a lápis com sua letra bem desenhada dos idos de 1980 que não pode ser retirado da biblioteca. Fui atrás do meu único livro que tem este aviso onde lera pela 1ª vez: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais. ”

Pois bem, eu fui atrás do George Orwell, A Revolução dos Bichos e não encontrei. É uma edição antiga da Editora Globo de Porto Alegre, de papel comum e capa sem atrativos. Procurei pelas prateleiras dos autores estrangeiros, Orwell estava presente com “A Filha do Reverendo”, “Uma Vida em Cartas”, “1984” e….

Domingo vasculhei minha papelada que guardo com intenção de ler a qualquer hora. Peguei uma folha solta de um Suplemento de Minas Gerais, li um título “A Galinha Cega” de João Alphonsus. Nem continuei a procurar outro texto. Aquilo me puxou, pois eu não conhecia o autor.

Um conto sobre uma galinha cega? Comecei a ler e me divertir.

Um carroceiro compra uma franga e em casa mostra para a mulher.

“A mulher tinha um eterno descontentamento nas rugas. Permaneceu calada. ”

O homem elogiava a compra da galinha e a mulher “ –É. ”

O marido voltava a falar. E ela “ – É.”

Você não vai acreditar ou quem sabe rir de mim depois que eu contar o que que me fez continuar a ler este conto. Não foi só o Título. Nem a apresentação do ânimo da mulher, imprescindível para criar o clima, e sim, o modo lacônico como respondia ela e por isto eu visualizei o marido bronco querendo aprovação da compra de uma galinha e a mulher simples talvez passando roupa somente respondia “É.”

Preciso dizer mais?


(Passei o nome do autor no Google e apareceram alguns títulos à venda pelos sebos espalhados pelo Brasil.

Não conto mais, estou esperando os livros chegarem pelo Correio.)

Leia mais da autora em Sepé.

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