‘A TELEPATIA SÃO OS OUTROS’, DE ANA RÜSCHE

Por Christian David

Fiquei bem tentado a indicar um livro que já reli diversas vezes, sendo a mais recente em 2019. Eu, robô, de Isaac Asimov, sem dúvida, merece destaque pela reconhecida habilidade do autor de contar histórias de ficção científica em uma linguagem simples e clara, e ainda assim rica e plena de significados. O ano de 2020 marca o centenário do nascimento de Asimov e eu não podia deixar de citar o criador das Três Leis da Robótica. Lembram daquelas três leis que muitos filmes, livros e seriados de FC gostam de utilizar e explorar como cerne ou reflexão na narrativa? Pois então, é do próprio, do tio Isaac Asimov, o homem dos robôs. Duas de suas histórias sobre robôs tiveram boas adaptações para o cinema. São adaptações que procuraram explorar livremente os conceitos de Asimov em um filme de FC sem se prenderem a história como foi escrita originalmente. São elas “Eu, robô” (com Will Smith) e “O Homem Bicentenário” (com Robin Williams). O mais incrível das histórias de robôs de Asimov é que elas exploram, principalmente, o sentimento de humanidade e todos os dilemas que advêm dele.

Mas não vou usar esse espaço para indicar Asimov ou algum de seus livros.

Como jurado do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica pude fazer algumas boas leituras e quero indicar dois dos livros vencedores: Terra Vazia, de Otávio Definski, Editora Metamorfose, (melhor livro juvenil de Ficção Científica, Fantasia ou Horror) e A Telepatia São Os Outros, de Ana Rüsche, Monomito Editorial (melhor narrativa curta de Ficção Cientifica).

Em Terra Vazia, Otávio explora o popular gênero das distopias e cria uma narrativa interessante tanto para jovens quanto para adultos. Com uma linguagem simples e sem descrições exaustivas de seu mundo distópico o autor vai nos apresentando aquela realidade absurda em que os personagens são obrigados a viver. A meu ver o livro cresce muito com o final escolhido por Otávio, que troca o final estilo “Sessão da Tarde” com todos os tijolinhos se assentando harmoniosamente em uma parede perfeita por um final estilo “A Vida Como Ela É”, com um soco no estômago denunciando a podridão da sociedade e dos jogos de poder. O livro foi ainda finalista do Prêmio AGES na categoria juvenil, junto com um livro deste que vos escreve. Em A Telepatia São Os Outros, Ana se mostra bastante hábil nos diálogos e na condução do fio narrativo. Os personagens têm aquela verossimilhança que nos faz imaginá-los como pessoas das nossas relações ou parentes próximos. A história gira em torno tanto da autodescoberta de Irene em uma viagem onde pretende retomar sua vida quanto da descoberta de uma nova forma de telepatia e da possibilidade de ser patenteada por uma grande empresa. Lembrei de Castañeda em alguns momentos, mas com uma roupagem bem própria da autora e com discussões mais científicas. É uma novela que acaba e nos deixa órfãos, a vontade é de continuar lendo.

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