‘O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO’, DE RODRIGO FRANÇA

Por Fernando Chemale

Por que ler uma adaptação de um livro mundialmente consagrado, escrita por alguém que participou de um reality show de relevância cultural nula? Minha resposta é tão clichê quanto a obra que inspira o livro em questão: a busca por um mundo mais justo e equalitário, onde minha pequena filha esteja inserida.

Não almejo que minha rebenta por nenhum momento de sua vida diminua alguém por sua cor de pele . Nem que jamais seja impregnada por um “caldo de cultura” onde se veja com naturalidade formas veladas, mas nem por isso menos cruéis, de preconceito. Que ela vista azul, rosa, ou um buquê de cores se assim desejar. Mas que acima de tudo não seja indiferente às injustiças.

Alguém pode argumentar que esse mundo politicamente correto está chato e desconfiável. Mas e o desconforto, ou melhor, a dor de quem é alvo das mais diversas discriminações com as quais convivemos? Seguindo ainda na linha “chover no molhado” e parafraseando Gandhi , “eu quero ser a mudança que desejo para o mundo ” . Quero que minha filha, ainda um pen drive quase vazio, não seja repleta de downloads preconceituosos e sem empatia, como infelizmente eu fui, e hoje, arduamente luto para deletá-los de dentro de mim.

Nesse sentido, O pequeno príncipe preto cumpre seu papel com maestria. Devolve a autoestima a um povo que não se enxerga na literatura, cinemas, comerciais, universidades e em varias esferas do mercado de trabalho. Mas o clássico livro de Antoine de Saint-Exupéry já näo é por si só humanitário por excelência ? Sim, mas é branco, loiro e de olhos azuis. Você não precisa provar para alguém que ela é bonita se todas as pessoas já a chamam assim, mas, para as outras, às vezes, é preciso mostrar no reflexo do espelho a sua beleza.

Além da questão racial, o livro fortalece a igualdade de gênero tratando a famosa arvore conselheira, nessa versão uma baobá, sempre no feminino. Chegará um tempo onde os negros serão igualmente representados em todos meios de expressão da humanidade e talvez, então, adaptações como essa soarão obsoletas , desnecessárias e até piegas. Não é a realidade atual. Rodrigo França, o autor, é negro (deveria ser irrelevante mencionar, mas não é) e, além de ex-BBB , é filósofo , cientista político e se utiliza da visibilidade adquirida na televisão para divulgar a consciência racial e de gênero e, com essa obra, ajuda a todos, crianças e adultos, a entenderem que o negro veio ao mundo também para ser protagonista e não para ficar relegado apenas às senzalas sociais e culturais de nossa sociedade.

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