‘QUATRO MULHERES’, DE NEUSA DEMARTINI

Por Vera Ione Molina

O romance Quatro Mulheres, publicado em 2019 pela Editora Bestiário, é dividido em 23 capítulos curtos que têm como título os nomes das personagens focadas predominantemente, recurso este que facilita e clareia o entendimento da história em todas suas nuances.

No início, o leitor tem a impressão que o foco narrativo é a personagem Yolanda, segunda mulher do desembargador, a única das mulheres que é de São Paulo, que mantém com ele uma relação estável, embora não vivam na mesma casa. As outras duas mulheres são de Rio Pardo, terra natal de Afrânio, embora não se conheçam. Há um narrador onisciente, que alterna o foco para diferentes personagens e tem informações que vai passando diretamente ao leitor.

A primeira sensação do leitor é de que Yolanda é uma mulher fútil, com conversas superficiais com grupos de amigos que vivem de aparências em clubes sociais, até que ela recebe uma notícia, através de um dos enteados, que irá, aos poucos, mudar essa percepção.

O conflito central se instaura no velório do desembargador Afrânio, com a presença de três mulheres a agirem como viúvas: Marta, a primeira esposa e mãe dos filhos, Yolanda, atual companheira oficial e uma também bela mulher chamada Heike, cujo apelido é Alemoa. A empregada do desembargador, Vania, também terá um papel que o leitor reconhecerá imediatamente, mas só se revelará à Yolanda bem adiante.

Auxiliada por uma amiga íntima, Yolanda começa a revistar os guardados do marido. Papeis e bilhetes arrumados metodicamente, como ele costumava fazer. Assim, vão descobrindo o que ele sentia por cada uma das três mulheres, todas elas nomeadas como insetos, estudo ao qual se dedicara ultimamente como hobby, assim como hipnose – que estudava e praticava em suas mulheres, através de sonhos-pesadelos programados.

As amigas descobrem uma quarta mulher com nome de inseto, que será guardada para que o leitor siga a pista e descubra por si.

Como foi falado anteriormente, Yolanda não é a mulher fútil que parecia ser no primeiro momento.  Ela tem um drama familiar que lhe traz muitas preocupações e dor, outro conflito que movimenta a narrativa, além do conflito central, que é a descoberta de outras mulheres na vida do companheiro.

Vamos torcer para que seu problema familiar seja solucionado de alguma maneira, já que ela ficará sozinha depois de dois casamentos.

Li como revisora e me encantei com este livro. Se ainda pudesse ser indicado para o Prêmio Jabuti, penso que deveria concorrer como romance de entretenimento., pois, embora seja fruto de uma pesquisa rigorosa com relação à ciência que estuda os insetos – a entomologia., é um livro que nos encanta ler e investigar junto com a protagonista a estranhíssima vida íntima de seu companheiro.

Leia mais da autora em Sepé.

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FICÇÃO

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