De ‘A ÚLTIMA VEZ QUE PENSO EM VOCÊ NESTE SEGUNDO’, de Léo Cruz

dói

quando eu encontro
fotos nossas no meu celular
ocorrem dois momentos:

surge um ar diferente no ambiente,
uma doçura que eu aposto
que toma conta da sala inteira,
do andar todo, do prédio por completo
e eu lembro da gente sendo feliz
(afinal, ninguém tira foto de casal triste)
e nem penso nos mil motivos
para que tenha dado tão errado.

depois, as nuvens escurecem,
o céu despeja uma tempestade tão forte
que o teto de onde estou é destruído
e eu sugado para fora.
no meio desse temporal
eu sou atingido por um raio
e meu corpo explode em mil pedaços.

tudo isso acontece em um segundo
mas dói por uma semana.

subida

subimos toda aquela lomba do mont’serrat
com uma heineken na mão
como alpinistas da solidão.

anos depois, nossa amizade terminou
como o ar que fica cada vez mais fraco
no alto de uma grande montanha.

quando acabou
doeu tanto como descer rolando
não aquela lomba do mont’serrat
mas sim o everest.

nicolas cage

já tratei o amor
da mesma forma que o nicolas cage
trata o cinema.

já tivemos momentos dignos de oscar
mas já aceiteimos cada papel (de trouxa)
só para pagar as contas da carência, no meu caso,
já no caso dele, apenas as contas mesmo.

nicolas, venha cá, vamos beber juntos,
conversar um pouco,
ambos sabemos que temos talento pra coisa
que somos intensos e que merecemos mais,
mas cá estamos aceitando papéis menores
pensando se os grandes dias voltarão.

tomara.

sacola plástica

sou tão cheio de vazios
que às vezes me sinto
como uma sacola plástica cheia de ar
que perambula pelas ruas da cidade
sem direção.

a única diferença minha
para uma sacola plástica ao léu
é que às vezes eu amo
e às vezes eu sou feliz

e ela eu não sei.

muito obrigado

muito obrigado, se não fosse por você
meus poemas seriam como dirigir sem carteira,
surfar sem prancha, voar sem asas,
pilotar sem guidão
ou pular com os pés no chão.

de verdade, muito obrigado,
agora sei bem como é um coração machucado,
meus poemas vêm com você tatuado.

Léo Cruz é natural de Porto Alegre e formado em Publicidade e Propaganda. Publica regularmente seus poemas na página Poeta Léo Cruz e também compartilha em zines, postes e muros da cidade. Em 2015, foi vencedor do 18º Prêmio Cidadão de Poesia de Limeira, São Paulo. É coorganizador do Sarau Poetaria, juntamente com Michelle C. Buss. “Ainda não há um furacão com seu nome” é seu primeiro livro e foi lançado de forma independente, no final de 2018, sendo o mais vendido na categoria Poesia para Jovens e Adolescentes e um dos mais vendidos na categoria geral de Poesia na Amazon.

POESIA

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