5 poemas de Mar Becker

Num fio I não importa o que eu diga das tuas mãos só posso amá-las como amopelo que não sei dizer amo tuas mãos ali onde elas calam no silêncio que guardam, intacto como o nomede um pássaro não catalogado II da tua boca não importa o que eu diga amo-a porque me escapa a…

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LITERATURA GAÚCHA: CENA CONTEMPORÂNEA

Houve um momento em que a noção de sistema literário permitia que a literatura sul-rio-grandense fosse observada, em determinadas perspectivas, com certa autonomia, como se consistisse em certa forma de independência, pela produção de uma literatura específica de autores “daqui”, para uma recepção específica, “daqui”, na constituição de um triângulo “autor-obra-público” gaúcho. Tal independência quase…

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ESCRITORES GAÚCHOS – SÉRIE DIGITAL: SERGIO FARACO

O Instituto Estadual do Livro (IEL) está lançando o fascículo biobibliográfico “Escritores Gaúchos – Série Digital: Sergio Faraco”, em homenagem ao escritor Sergio Faraco. Este volume, o sexto da série digital Escritores Gaúchos, conta com relatos, fotos, entrevista e trechos da obra que resgatam a trajetória do autor homenageado. Sergio Faraco nasceu em Alegrete, no…

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A PRODUÇÃO E A RECEPÇÃO DOS ESCRITOS DE QORPO-SANTO: APONTANDO TRANSFORMAÇÕES NAS RELAÇÕES ENTRE ARTE E LOUCURA, por Elizabeth Lima

A partir do século XVIII tornou-se comum, entre os artistas, a prática de desenhar pessoas encarceradas em asilos; alguns desses desenhos registram loucos desenhando ou traços e figuras nas paredes das celas (Barbosa, 1998). Essas imagens nos mostram que o interesse dos artistas pela loucura encontrou um movimento de seres que, em situações limites, buscaram…

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MACBETH – UMA TRAGÉDIA OPERÍSTICA, por Maria Alice Braga

Ópera Verdi com texto de Shakespeare Ópera Verdi com texto de ShakespeareMacBeth (Metropolitan de NY) – 2019Direção de Adrian Noble – condução de Marco ArmiliatoAna Netrebko, como Lady MacBethZeljko Lucic, como MacBethMattev Polenzoni, como MacDuffIIdar Abdrazakov, como Banquo Desde o seu surgimento, na Itália do século XVI, a ópera é uma forma de arte plurimidiática,…

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POLEMIQUIM EM TORNO DO GRANDE SERTÃO: GUIMARÃES ROSA DETESTOU JOYCE, PREFERIA SIMÕES LOPES NETO, por Sidnei Schneider

Quem conta a história de Grande sertão: veredas, o romance de Guimarães Rosa, é o personagem Riobaldo. Tudo o que saberemos a partir da sua leitura é narrado por ele a um doutor da cidade. É essa narrativa que constrói o personagem e todos os outros. As opções sintáticas e a escolha vocabular que lhe…

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TESTAMENTO DO PEIXE (Gaston Baquero), por Mariana Machado de Freitas

Eu te amo, cidade,ainda que somente escute o teu rumor longínquo,embora eu seja em teu olvido uma invisível ilha,porque murmuras, tremes e me esquecesEu te amo, cidade. Eu te amo, cidade,nas horas em que a chuva nasce súbita em tua fronteameaçando dissolver teu rosto numeroso,quando até no cristal silente em que residoas estrelas aspergem sua…

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De ‘POEMAS SOLITARIOS’ e ‘POEMAS MISTICOS’ (Ricardo Guiraldes), por Lucio Carvalho

Fé Eu já me perdi de mim mesmo. Às vezes, tomo as lembranças entre as mãos, com carinho, e busco a infância distante, onde ficaram minha fé e minha força. Eu as vejo ainda lá, detrás de uma intransponível transparência no tempo mostrando com desprezo minha impropriedade de agora e mais admiro a chama tremeluzente…

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5 poemas de Carlos André Moreira

Profilaxia Esfrego as mãos até a pelePelando, desfazer seus nósE sabe-me a saibro e sabãoA pasta vencida das horasOs olhos nublados da areiavestígios de lágrima e póTateio nos vincos da faceo rosto antigo que não tenho Por mais que tome cuidadoMe corto todas as manhãsNo gume afiado do dia. Amarcord I Na cidade, vivia o…

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3 poemas de Giulia Barão

A pedra Se eu fosse uma pedrapresa a uma parede marítimateria sentido o desejode me soltar e sair correndosem destino, mas contracorrentee também o medode afundar no esquecimentoe também o pesode abandonar um continente. O rio Quisera esfacelar meus ossossem morrere sair pelo mundoarrastando-me, sem pressatoda sangue e biomassaamorosa, pareceque a doçura é líquidae o…

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De ‘TODO ABISMO É NAVEGÁVEL A BARQUINHOS DE PAPEL’, de Davi Koteck

ato falho há um erro de digitaçãofalha frequente nos cartórios da cidadese alguém me chamar por outro nometalvez aconteça caminhar ao contrário existe algo explodindoda cabeça para dentropequenos impulsos forçamo portão de entrada da festado meu inconsciente 2.quero gritar socorro na língua dos sinaisser poeta apenas longe dos outros poetaseu faria qualquer coisa para mastigar…

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De ‘O JOVEM ARSENE LUPIN E A DANÇA MACABRA’, de Simone Saueressig

3 – QUASÍMODO Na manhã seguinte, Paris despertou com um estremecimento. “Despertou”, se é que a capital dormia. Aparentemente, nas sombras da cidade-luz, coisas macabras jamais descansavam. A notícia que corria solta tornava o incrível quase concreto e dava contornos ainda mais sinistros ao misterioso vulto noticiado pelos jornais, dias antes. Da Porte Saint-Denis ao…

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‘BELICOSAS FRONTEIRAS’, org. por Jonas M. Vargas

Ao longo do oitocentos, as Américas foram palco de profundas transformações socioeconômicas e políticas e os conflitos militares estiveram relacionados a muitas delas. Século marcado pelas independências, pelo surgimento dos Estados nacionais, pela construção das fronteiras e limites territoriais, pela abolição da escravidão africana, pelas reformas liberais que prepararam o continente para a implantação do…

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A TRAVESSIA, por Antonio Prates

(Homenagem a Sergio Faraco) Estava bebendo canha no bolicho do Chico Bugre, um casebre de madeira cuja última mão de tinta deve ter sido dada no tempo das Missiones. Pelo menos assim o descreveu Seu Quintino, que tomava também seus tragos, de pé, junto ao balcão. Quintino estava tão borracho que deu pra falar bonito,…

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3 poemas de Juliana Meira

ainda somos de osso de carnealguns de alma e como parte num todoa vida continuaparece até funcionar levantamos nossos mortos por sua veznossos mortos apenas elesdescansam já vou quea madrugada me ameaçacom outra manhãcom outra cara e humore gasta esperança Juliana Meira vive em Canela/RS. Publicou, entre outros, água dura (Artes & Ecos, 2019), na…

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3 poemas de Patrícia Peterle

A caça Animal estranho e entranhantetímido e protervo caminhavai seguindo seu rumo em desaprumoarisco arredio temeráriosuas ações abrem trilhas promovemcontaminações inesperadas. Armadilhas de sentidosartista camaleônico e libertino que em seu obrarse desloca a todo instantepõe-se à escuta de outras vidas vozesque soam uma música longínqua. Intérprete musical? Por que não. Meio masoquistageneroso e curioso, em…

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6 poemas de Ines Lempek

A magia do tempo Tudo alisão lembrançasnossas memóriasmergulhadasuma piscina cheiade horasnão se esvazia Lembra daqueles diasmeus olhosteus olhosnossos olhosjuntos brilhavamno infinito congeladode nossos encontros No Jardin des Planteso corvo de Allan Poee orquídeas selvagensse entrelaçavamdançarinas de veludosobre o gigantescotapete verde e úmidocheiro de cio da manhã Na sala de estardois globosde vidro transparenteságua escorrendocachoeiras vertiamlágrimas…

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5 poemas de Armando Moura Filho

Animal microscópico sobreviveVinte e quatro mil anos em geleiraDa Rússia;A vida é virtualmente eternaFora do circuito religioso.Isso, confesso, me entusiasma.O texto que segue ficou prejudicadoCom a descoberta –Tenho 77 anos de idade eApenas dois de poesia.Não disponho de muito tempoPara me aprimorar ( essa premissa ruiu ).De qualquer modo, estou presente e ativoNas madrugadas sempre…

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3 poemas de Mário Baggio

Parto Quando você não tiver nada,restará pelo menos a escrita.Foi algo que você prometeu em público,ao vivo:escrever até morrer,morrer se não escrever. Se, por acaso,até escrever for difícil,quando nenhuma ideia lhe ocorrer,nem nova nem velha,abra a garganta e grite.Coloque esse grito no papel.Sei que é só um grito,mas vale mesmo assim.Preferível é gritar a se…

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5 poemas de Marcelo Martins Silva

Ressaca Quando teus olhos me entram o corpoE atingem o tumulto dos sonhosRepousando as coisas pequenasQue sussurramosNa cama de lençóis amassados,É ali, nesse lugarQue a palavra nasceIluminando a hora primeiraDe todas as manhãs. Valentine’s O amor comeuo olho direito que eu tinha.Não fiquei cego – de amor,só caolho.Hoje vivoamores pela metade,mas canhotos.antes caolho doque mal…

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3 poemas de Lucas Barroso

Poema das crianças O bebê de um ano e onze meses morto a pauladas pelo pai,As dez crianças mortas pelo vigia que ateou fogo na creche,O menino assassinado pela polícia dentro casa com setenta e um tiros disparados a esmo,O garoto estrangulado pela mãe,O garoto empalado pelo homem desconhecido,A menina alvejada pela facção rival do…

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5 poemas de Adroaldo Bauer

presente sem passadopassado a limpoganhei o presentenão há futuro! 20/12/2009 vai-se só o vazioperda do que se não tinhao vazio se esvaiue se vai nele o que havia. 14/11/2009 lua alagadaintrigado ficarabombardeado, um lado da luaalagado restara 13/11/2009 Devires Grandes momentosvirão reviradosde nós mesmos 20/03/2009 Pedaços do coração 3 Atormentadas circunstânciasIndizíveis deslembrançasInda revoltam as benquerências…

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De ‘ININTERRUPTOS, CHOREMOS RUAS DENTRO DOS OSSOS’, de Delalves Costa

1. não posso acreditarestar esta poesia de sentençahaverá quem a leiaapenas para elevá-la à forcahaverá quem a leiapor morar em praça públicaonde é o espetáculo mal sabia que parirde útero invertido causassetanta dor que do péde flor só brotasse espinhosatemporal urticáriaa semente extrai nasciment-os germes do tempo haverá quem a leiapara sepultá-la nas falésiashaverá quem…

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ELOGIO ÀS ESCADAS, por Cristiano Fretta

A arquitetura como construir portas,de abrir; ou como construir o aberto;contruir, não como ilhar e prender,nem contruir como fechar secretos;contruir portas abertas, em portas;casas exclusivamente portas e teto(…)Fábula de um arquiteto – João Cabral de Melo Neto Os primeiros passos eram amplidão branca e deslumbrante que se explodia em luminosidade e acabava por dilatar as…

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O CLUBE, por Gustavo Lagranha

“Nem tudo que brilha é relíquia nem joia”Racionais MCs – Eu sou 157 Dois, um e meio, dois e meio, será? Diôni tentava calcular de cabeça, para se distrair, quanto custavam os carros estacionados em frente ao beach club California Nation. Até então, um Maserati, um Porsche – não desses mais baratos, de setecentos mil,…

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