5 poemas de Daniel Ricardo Barbosa

As Cinco Irmãs

Ausentes estrelas, cruzeiro do sul
a bússola coração que vagueia
a respiração nítida condensada
acelerada como bater de palmas
em espaço de engolir os sonos.

Equilibre o que não pesa
meça a força do tempo
escreva peça na escuridão.

A cena é a que se repete
as crianças brincam, bola
barcos de papel, chocolate
os lábios sujos de ranho
marcados pela terra
tudo doado, sobras.

Meninas na casa de latas
bonecas de meias furadas
como o teto, água gelada,
calor à mesa, sorrisos
raro pão com geleia
barata (s).

Sortilégio

Tudo está calculado
premeditada qualquer resposta
a todo o desafio e oposição
a tornar qual seja o sangue
motor de girar engrenagem.

Eles nos enganaram, não?
Apesar dos nossos livros
Apesar dos nossos álbuns
Nos estudando em certos anseios
Nos atendendo em dadas gulas
Escrevendo os nossos roteiros.

Nos tornaram cordas de baixa tensão
Frequência gasta de pouca resistência
Árvores secas que não dão mais nada
Frutos amargos duma manjada receita.

Embalagens
de lágrimas e
soluços, vez em
quando gemidos
Que sorte a nossa!

(Des)espero

O menino saltou ao abismo
ele queria aprender a voar
nunca deixar a vida desaparecer
aqueles momentos simples ao
fogo das amizades, uivo de lobo.

Talvez ainda voe por aí
dentro d’alguma canção
cover da Janis na rodovia
das almas perdidas, escondido
uma ilha de dar passos largos
sorrisos abertos, olhos baixos.

Desta vez fugir do abraço da morte!
Está à espreita na próxima esquina
a iluminava o vapor de mercúrio
agora se acendem centelhas de leds
A tempestade espantará os vultos
as exigências do corpo
as falências da calma.

Fugir da sina que seja na companhia no bar!
A guitarra tocando quatro por quatro
nos silêncios da erma estação
enquanto durarem as chamas
enquanto sonhar um coração
caminh(ar).

Desemprego

Uma revoada de pensamentos
grande vazio dos sentimentos
antevisão ou pressentimento
intuição do abismo à frente
uma redundância de palavras
para poder descrever a tristeza
desde o caos.

Desânimo! Os desumanos regem
a fome no poder, despudor
a caneta emudece como
emudecem as pulsações
as paixões tão pequenas
quanto pequenas são
as horas de sono
agitado.

Nenhuma quadrinha
de amor com dor
vaga.

Há vagas e trinta e três as perguntas
de um inquisidor formulário digital
descartado pelo nepotismo
como centavos de moeda
morta que não vale
nem ao numismata.

Flores

O vento desfez as horas marcadas
fiquei à espera cumprisse a promessa
alvissareiro horizonte de danças
azul de mar, verde das matas,
amarelo dos campos
girassóis, crisântemos.

Naquela casa das nossas dores
significávamos mais
que momentos.

Poeira de estrelas
sem dúvida,
mas mais.

Como no filme vago
cheio de nós
hoje passado
os sonhos da juventude
os sabores dos ideais
o futuro dos filhos
na mão do carrasco.

Não descemos os degraus
os cabelos estão presos
todos estão.

Daniel Ricardo Barbosa é natural e residente em Uberaba-MG. É autor dos livros “Elo, Entrelinhas e Alucinações” e “Os Nomes na Máquina”. Participou de 7 antologias poéticas, prepara a publicação do seu primeiro livro solo de poemas, além de publicar através dos seus perfis pessoais do Facebook e Instagram, através dos quais poderá ser contatado.

POESIA

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