Por Lucas Barroso
Neste ano, me deparei com três livros que mudaram o jeito que eu compreendia a Literatura até então. São textos que ultrapassaram o que entendia como inventividade. Em suma, os autores que citarei criaram algo que não conseguia sequer imaginar como possível – ou factível, nesse universo tão vasto.
Esse, creio, é um dos tantos motivos da Literatura existir em nossas vidas. Apresentar-nos o novo. Ampliar horizontes.
Os títulos são Todo Aquele Jazz, de Geoff Dyer, Sonhos Elétricos, de Philip Dick, e Os Visitantes, de Bernardo Kucinski. O primeiro é como um bom jazz: com improvisos, solos e muita beleza e tristeza. O segundo é um livro reconhecidamente de ficção científica. Porém, é assustadoramente humano e real. Ambos, tem um sem-número de críticas e resenhas por aí.
Vou me estender um pouco mais sobre Os Visitantes, onde a ousadia de Kucinski foi conceber um livro quase jornalístico, que retrata os leitores de um outro livro seu.
A outra publicação é K. Relato de uma Busca, que narra a história de um pai que procura sua filha desaparecida, vítima da ditadura militar. Um texto cru, direto, que passa longe de didatismos ou qualquer possibilidade de cativar o leitor para qualquer ideologia que seja.
Essa pegada é a mesma de Os Visitantes. A grande diferença agora é que o próprio Kucinski está no centro de tudo, recebendo – nas tais visitas – uma saraivada de críticas e apontamentos dos leitores de K.
É um livro corajoso, onde o autor se despe de qualquer vaidade e escancara seus erros, defeitos e medos. Um ajuste de contas com o fazer de literário.

