Categoria: POESIA

5 POEMAS DE RAMON CARLOS

Anestésico Depois de descobrirQue os mosquitos têm dentesTodas as noites,Quando esses bastardos decidem aparecerEu tenho uma certeza, meu bemDe tanto sugarem vocêAgora eles precisam de mimDo meu sangue alcoólicoPara aliviarem suas doresE é só por issoQue não os matoApenas mastigoUm que outroPara velarSeu sabor Magnitude Sangue talassêmicoOs cabelos brancos de VirgíniaEnquanto estende as roupas, cantarolandoFeito…

Leia mais 5 POEMAS DE RAMON CARLOS

3 POEMAS DE MARIA OTTILIA RODRIGUES

ANA DO MEU SONHAR Ana, dos meus cândidos sonhosDos meus dilúvios internosDeixaste meu corpo, outrora nuEm cima de uma cama sem cobertaSem esmola, sem respostas Ana, nas pedras te eternizeiNo calor de um inverno quente te fizNos cabelos compridos me enroleiE nas mãos dadas me senti mulherDaquelas que ama e não tem medoÓ, Ana… Agora…

Leia mais 3 POEMAS DE MARIA OTTILIA RODRIGUES

HISTÓRIAS NA JANELA – CHRISTINA CIDADE DIAS, LENICE GOMES, MARÔ BARBIERI E MILENE BARAZZETTI

As palavras, desde os primeiros tempos da humanidade, sempre foram instrumento de encontro: entre povos, entre tempos, entre ideias. Guardar palavras na fala, rimar para memorizar, escrever na pedra para não esquecer. Guardar para libertar. Talvez essa seja a motivação de toda a escritora. Vivemos a fantasia de escrever para eternizar, para promover encontros a…

Leia mais HISTÓRIAS NA JANELA – CHRISTINA CIDADE DIAS, LENICE GOMES, MARÔ BARBIERI E MILENE BARAZZETTI

5 POEMAS DE GRAZIELA JACQUES PRESTES

Planeio Esquecer-se no ninhoDá frio na espinhaSeguemAs formigas da terraAs gaivotas do céu Visão turva também faz curvaVoa, meu irmão Beijo nuvem Há um beijo molhado ao redormanso, doce, suaveHá um beijo molhado ao redorpaira, olha, tocaeu, você, todo lugar Amor eterno O sonho desta noite te trouxe de voltaquentinho, bem pertinho de mimolhar sorriso…

Leia mais 5 POEMAS DE GRAZIELA JACQUES PRESTES

DE ‘DENTE-DE-LEÃO’, DE WANESSA MONTEIRO DE BARROS

6 passo lenta no centro dos vendavaismeus sonhos moram dentrodas ventas dos cavalos com o fogo dos dragões abro picadasafago cães no vazio, rego flores miudinhasjunto andorinhas ao conselho daninhodas congregações entro no país das fadaslá onde a lambida da salamandraé prenda, amora derretidacanto rupestreespinheira santana luz bruxuleantedas esquecidaslamparinas da mata enquanto seu lobo não…

Leia mais DE ‘DENTE-DE-LEÃO’, DE WANESSA MONTEIRO DE BARROS

DE ‘SUBIR AO MURAL’, DE RONALD AUGUSTO

octassílabos erra em ondas meu pensamentopelos ângulos do lugaras paredes brancas de nadaum corte transversal, solar as cortinas se mantêm feiasesse plissado industrialessa cor, de ordinário, pálidadão a tudo um quê de oficial o rumor ar condicionadopiso de hospício sem ranhurasou de laboratório clínicoquadrículo infenso à cultura no entanto aqui a estudantadafaz o exame vestibularcumprindo…

Leia mais DE ‘SUBIR AO MURAL’, DE RONALD AUGUSTO

DE ‘A ARTE DO MEDO’, DE DILAN CAMARGO

A ARTE DO MEDO Essa artelimita a vidamatéria disformedo desassossegoo medoaprisiona o egoem vigíliadesacende a realidadeessa vil paisagemdo dia a dia. Essa artefaz o vooda borboletaquase vãobelo feiomorrer nas sobrasde asas coloridasao rés do chão. Arte relesmedo de lesmado salesbugalha os olhosno sinalarrepia a peleacendesó o vermelho. Essa artedespoja o desejodesilude olharvaza sentimentotanto fazestar vivo…

Leia mais DE ‘A ARTE DO MEDO’, DE DILAN CAMARGO

4 POEMAS INÉDITOS DE MICHELE C. BUSS

PLUVIÔMETRO A estação é das plantas da chuva… Crescem ervas ombrófilas nos meus olhose uma flor tropical violáceanos átrios do coraçãoencharcados de pulso. Nos céus além da pele:tempo bom. Nos silêncios interiores:o medidor de chuva descontroladoem pleno estado de tormenta epouco sol. Da instabilidade das pálpebrase da glândula lacrimal(100% de umidade no ar)floresce intensa a…

Leia mais 4 POEMAS INÉDITOS DE MICHELE C. BUSS

4 POEMAS INÉDITOS DE GABRIELA SILVA

Celebração primordial Na hora mais escura da noiteQuando não há mais medoNem esperança pela luzTomei teu corpo Como se cada partícula da tua peleMe pertencessee teu ritmo cardíacoocupasse o som de todas as coisas e ficamos assim, a aproveitar a festado espírito e da carnemateriais dispersos e complementaresque nos constróem mantenho-me acordadapara contemplar teu corpoonde…

Leia mais 4 POEMAS INÉDITOS DE GABRIELA SILVA

UMA ODE À HUMANIDADE (SÓFOCLES) – TRAD. POR RAFAEL BRUNHARA

(Sófocles, Antígone, versos 332-375) Muitos prodígios e terrores há;nenhum maior que o ser humano.Ele atravessa o mar cinzentojunto dos ventos invernais,ele vaga e vence rugentesondas que o cercam e exaurea mais suprema deusa,a Terra imortal e incansável,ano a ano lavrando-a vaicom o arado e seu cavalo. A raça de aves lépidasO rebanho de ferasas criaturas…

Leia mais UMA ODE À HUMANIDADE (SÓFOCLES) – TRAD. POR RAFAEL BRUNHARA

DE ‘MIDIASERÁVEL’, DE DELALVES COSTA

Made in Brazil O catador pão-dormido então acordouenvolto ao frio e ventosob notícias do jornal.O café matinal é farto:folhados, quinhentos-queijos caféexpresso londrino pãesleite suíço (vacas azuis)e sucos do laranjal tipo export.Made in Brazil, a fome à fartamesa tupiniquim: suorde sol a sol bordado com petróleoe estampa canavieira.Enquanto isso, brasil(de ruas viadutos calçadas)vaga à revelia empurrandorecicru…

Leia mais DE ‘MIDIASERÁVEL’, DE DELALVES COSTA

DE ‘CONSUBSTANTDJETIVOS COMUNS’, DE ADRIAN’DOS DELIMA

ATO DO RECOMEÇO O vento vuneNa minha orelhaSe levanta o cabeloE quanto àquiloQue eu pensava tão longeCaio em meu corpoMas mergulharMinha botaNo brilho do asfaltoRecompõe a noiteTudo aquilo que penseiCai com a chuvaBranca de luzesTudo aquiloSe recompõeEm mais um passoOutro NO COLIBRI LANCHES, CERTA TARDE, RECENTEMENTE DESEMPREGADO Me sinto bem no balcãoBem à vontade nos…

Leia mais DE ‘CONSUBSTANTDJETIVOS COMUNS’, DE ADRIAN’DOS DELIMA

DE ‘FLOR DE UDUMBARA’, DE SANDRA SANTOS

A Arte de Cultivar Girassóis Van Gogh colhe agoraquinze girassóis em Arlesporque um xamã das Américastem febre e flores na cabeçauma flor se levanta às 6:15 da manhã para comporum arranjoquinze capítulos degirassóis amarelosonde contemplo a luzdos teus olhos Girasol t’ikakuna tarpuyta yachaq Van Gogh phesqa chunka girasol t’ikakunataojarin qhunan Arles llaqtapiimanaqtinchus huj hampiqpa umant’ikakunawan…

Leia mais DE ‘FLOR DE UDUMBARA’, DE SANDRA SANTOS

4 POEMAS INÉDITOS DE MARCO DE MENEZES

introdução à contabilidade I quantos rostos esquecemosna parca destinação de comparsasque a existência provê aos visitantes de pai e mãe e irmãose parentes mais próximosposto que se transladamde um a outrocomo um projetor de slides enguiçadoos rostos escondemainda que familiaresum certo brilho esquisitoou uma opacidade de cera negligentesobre a tábua antiga do Seu Aquiles, o…

Sombras de um gradil

Leia mais 4 POEMAS INÉDITOS DE MARCO DE MENEZES

DE ‘SPOILERS’, DE DIEGO GRANDO

PREÂMBULO PARA UM POEMA TARDIO Ir para o inferno toma tempoà cata do incidente emaranhadotoma tempo e trinta e tantastentativas, primeiras palavraspedidos de desculpa e demissão:ricocheteios de cascalhona superfície da memória. Não basta boa vontadepara chegar ao infernoé preciso o reflexo condicionadode não estar pensando e de repenteestar: voltar a si, se descobrirantes da próxima…

Leia mais DE ‘SPOILERS’, DE DIEGO GRANDO

A CARNE DO HOMEM (UM ENSAIO E TRÊS POEMAS CARNÍVOROS) – MARCUS FABIANO GONÇALVES

No gado é que dormimose nele que acordamos.Drummond, Boitempo As pessoas modernas em quase nada diferem daquele bípede implume cuja espécie autonomizou-se geneticamente há cerca de 300 mil anos nas pradarias africanas, já considerada aí a datação das recentes descobertas de fósseis de Homo sapiens no sítio de Jebel Irhoud, no Marrocos, que recuaram em mais de 100.000…

Um homem palestra diante a um pedaço de carne

Leia mais A CARNE DO HOMEM (UM ENSAIO E TRÊS POEMAS CARNÍVOROS) – MARCUS FABIANO GONÇALVES

5 POEMAS INÉDITOS DE ANDRÉ MARTINS

in memoriam sufocado sob violetasele morreu silenciosamentenão saiu no jornalnão houve consternação seu nome era outonoda tribo dos equinóciostinha os mais belos diasa luz preferida por monetboa temperatura para o tinto morreu como veio ao mundoentristecidosob a copa das árvoresdeixa folhas obsoletras assim como outras máquinas e pessoasa máquina de escrever tornou-se inútilpeça de um…

Lettera 32 - teclado de máquina de escrever

Leia mais 5 POEMAS INÉDITOS DE ANDRÉ MARTINS

4 POEMAS INÉDITOS DE TATIANA CRUZ

CADA CORAÇÃO cada coração é uma casa assombrada ou umcaleidoscópiolugar de armaduras, elefantes, bibelôs de viagem,aliterações, alguns ossos, um tanto demágoa, os sonhos todos, a névoa dos sonhostodos até o café preto de toda manhãcada coração são mil corações em condição detransição, num salto.todos espelhos voltados para o centro de um único coração, quepulsa à…

Leia mais 4 POEMAS INÉDITOS DE TATIANA CRUZ

DE SÍLABAS CILADAS, DE CARLOS BADIA

Longe Longea alma desce.Tece um fio d’água.Escorre num silêncio friofindo qualquer pensamento nítidolento ou rápido. É noite.Uma absurda voz interna,um miado,a rua distante, os carrose eu perdendo sanguesem feridas. Prisioneiros A atitude prisioneira do medo.O coração prisioneiro de carências.A opinião prisioneira de outra opinião.A insensatez prisioneira da coragem.A ousadia prisioneira da rebeldia vazia.O silêncio prisioneiro…

Capa de Sílabas e Ciladas

Leia mais DE SÍLABAS CILADAS, DE CARLOS BADIA

3 POEMAS INÉDITOS DE ADRIANA BANDEIRA

VINDO De onde venhodizem-me as coisassobre o vagar calmoda esperançapor um fioe quando não foi réstia?e quando não foi frio?o andar do sempreo andar do rio DEPOIS Depois do temposem que se chame instantemomentolembro dentro lembro tantoe ainda queroqualquer sussurrobarcovento como se fosse o voltar dos diasmeio tontasem inteiro gestosnasço inconstantevertoverso por causa de qualquer…

Leia mais 3 POEMAS INÉDITOS DE ADRIANA BANDEIRA