‘ELEGIAS DE DUÍNO’, DE RAINER MARIA RILKE

Por Pâmela Filipini

“Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos me ouviria?”, assim inicia-se a Primeira Elegia, um questionamento profundamente assombroso investido por um espírito igualmente solitário. Rilke evoca um espaço cujas fronteiras se rebelam contra si mesmas: há a desilusão, o engano e o desamparo ─ onde os raros momentos de luminescência ampliam ainda mais esse território tão fértil em melancolia e desejo. “Todo Anjo é terrível.” O que significa, em meu próprio coração, que toda Beleza é terrível, pois há nela inata ─ uma espécie de constrangimento ─ que num primeiro momento, ao tocar na intimidade humana, envergonha ou intimida, no entanto, se o espírito tocado já tem em si construído uma sensibilidade amadurecida, isso logo passará e se transformará em puro encantamento. É propriamente esse sentimento que se acumulou em mim ao terminar de ler esse livro. Tudo está ali.

Leia mais da autora em Sepé.

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