TRESAVENTO, DE MARCELO DELACROIX

Tresavento é o terceiro disco de Marcelo Delacroix. Depois do lançamento de Marcelo Delacroix, de 2000, e Depois do raio, de 2006, Marcelo produziu e por dois anos realizou as gravações de Tresavento. Num projeto de crowdfunding realizado por meio do Catarse, Marcelo finalizou a impressão das cópias dos apoiadores de primeira hora do projeto,…

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A FORMAÇÃO DA LEITURA NO BRASIL, DE MARISA LAJOLO E REGINA ZILBERMAN

Ao fechar este livro, vale a pena frisar alguns pressupostos que o balizaram e as conclusões para as quais ele aponta. Relativamente a seus pressupostos, o de maior peso é a hipótese de que hoje não são muitas, nem tampouco parecem muito instigantes as teorias literárias que endossam concepções exclusivamente textuais e/ou imanentes do literário,…

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DE ‘SUBIR AO MURAL’, DE RONALD AUGUSTO

octassílabos erra em ondas meu pensamentopelos ângulos do lugaras paredes brancas de nadaum corte transversal, solar as cortinas se mantêm feiasesse plissado industrialessa cor, de ordinário, pálidadão a tudo um quê de oficial o rumor ar condicionadopiso de hospício sem ranhurasou de laboratório clínicoquadrículo infenso à cultura no entanto aqui a estudantadafaz o exame vestibularcumprindo…

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O MUNDO DE SIMÕES LOPES NETO (1865-1916): TRAJETÓRIA INTELECTUAL E PRODUÇÃO CULTURAL NO SUL DO BRASIL – JOCELITO ZALLA

Este texto foi apresentado anteriormente no Simpósio Nacional de História de 2017 e faz parte das discussões do primeiro capítulo da tese “A invenção de Simões Lopes Neto: literatura e memória histórica no sul do Brasil”, defendida em 2018. Nos últimos anos, encontramos um novo interesse pela vida e pela obra de João Simões Lopes…

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DE ‘A ARTE DO MEDO’, DE DILAN CAMARGO

A ARTE DO MEDO Essa artelimita a vidamatéria disformedo desassossegoo medoaprisiona o egoem vigíliadesacende a realidadeessa vil paisagemdo dia a dia. Essa artefaz o vooda borboletaquase vãobelo feiomorrer nas sobrasde asas coloridasao rés do chão. Arte relesmedo de lesmado salesbugalha os olhosno sinalarrepia a peleacendesó o vermelho. Essa artedespoja o desejodesilude olharvaza sentimentotanto fazestar vivo…

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4 POEMAS INÉDITOS DE MICHELE C. BUSS

PLUVIÔMETRO A estação é das plantas da chuva… Crescem ervas ombrófilas nos meus olhose uma flor tropical violáceanos átrios do coraçãoencharcados de pulso. Nos céus além da pele:tempo bom. Nos silêncios interiores:o medidor de chuva descontroladoem pleno estado de tormenta epouco sol. Da instabilidade das pálpebrase da glândula lacrimal(100% de umidade no ar)floresce intensa a…

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AQUEUS * – DANIEL GRUBER

O monstro de madeira fez subirAos céus estrídulo e sinistro silvoBrilhando ao sol com seus arreios de ouroRepleto de guerreiros, que os helenosDeixaram junto às portas da cidade. Eurípides (1) A casa é velha, ampla e quadrangular, como um caixote imenso. É aconchegante, porque nos sentimos protegidos nela. As paredes são sólidas e não deixam…

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4 POEMAS INÉDITOS DE GABRIELA SILVA

Celebração primordial Na hora mais escura da noiteQuando não há mais medoNem esperança pela luzTomei teu corpo Como se cada partícula da tua peleMe pertencessee teu ritmo cardíacoocupasse o som de todas as coisas e ficamos assim, a aproveitar a festado espírito e da carnemateriais dispersos e complementaresque nos constróem mantenho-me acordadapara contemplar teu corpoonde…

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UMA ODE À HUMANIDADE (SÓFOCLES) – TRAD. POR RAFAEL BRUNHARA

(Sófocles, Antígone, versos 332-375) Muitos prodígios e terrores há;nenhum maior que o ser humano.Ele atravessa o mar cinzentojunto dos ventos invernais,ele vaga e vence rugentesondas que o cercam e exaurea mais suprema deusa,a Terra imortal e incansável,ano a ano lavrando-a vaicom o arado e seu cavalo. A raça de aves lépidasO rebanho de ferasas criaturas…

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EL AMANTE FANTASMA – FERNANDA MELLVEE

Traducido por Juan Ignacio Sunde. Días antes del casamiento, ella concordó con la única exigencia del marido, incluso considerándola desubicada: pediría la renuncia. En el  intervalo entre las comidas, ella se esmeraba en arreglar los pequeños cuartos, aunque no hubiese tiempo para cualquier resquicio de desorden. En las vísperas de cumplir un año de unión,…

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DE ‘MIDIASERÁVEL’, DE DELALVES COSTA

Made in Brazil O catador pão-dormido então acordouenvolto ao frio e ventosob notícias do jornal.O café matinal é farto:folhados, quinhentos-queijos caféexpresso londrino pãesleite suíço (vacas azuis)e sucos do laranjal tipo export.Made in Brazil, a fome à fartamesa tupiniquim: suorde sol a sol bordado com petróleoe estampa canavieira.Enquanto isso, brasil(de ruas viadutos calçadas)vaga à revelia empurrandorecicru…

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DE ‘CONSUBSTANTDJETIVOS COMUNS’, DE ADRIAN’DOS DELIMA

ATO DO RECOMEÇO O vento vuneNa minha orelhaSe levanta o cabeloE quanto àquiloQue eu pensava tão longeCaio em meu corpoMas mergulharMinha botaNo brilho do asfaltoRecompõe a noiteTudo aquilo que penseiCai com a chuvaBranca de luzesTudo aquiloSe recompõeEm mais um passoOutro NO COLIBRI LANCHES, CERTA TARDE, RECENTEMENTE DESEMPREGADO Me sinto bem no balcãoBem à vontade nos…

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DE ‘FLOR DE UDUMBARA’, DE SANDRA SANTOS

A Arte de Cultivar Girassóis Van Gogh colhe agoraquinze girassóis em Arlesporque um xamã das Américastem febre e flores na cabeçauma flor se levanta às 6:15 da manhã para comporum arranjoquinze capítulos degirassóis amarelosonde contemplo a luzdos teus olhos Girasol t’ikakuna tarpuyta yachaq Van Gogh phesqa chunka girasol t’ikakunataojarin qhunan Arles llaqtapiimanaqtinchus huj hampiqpa umant’ikakunawan…

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VOL. 1, Nº. 2/2020

POESIA De Consubstantdjetivos comunsAdrian’dos Delima De MidiaserávelDelalves Costa De A arte do medoDilan Camargo De E se alguém o panoEliane Marques 4 poemasGabriela Silva De Avesso do climaInês Lempek 3 poemasJoão Antônio Soares Neto 3 poemasLúcio Humberto Saretta De Noite altaMagda Loguercio Carvalho De A mulher submersaMar Becker 4 poemasMichele C. Buss Uma ode à…

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APRESENTAÇÃO

Em guarani e em outros dialetos indígenas, sepé é nome empregado comumente a homens. O termo dá nome também a uma gramínea bastante comum no Rio Grande do Sul: o capim Santa-Fé e parece ter esse sentido original. Outro significado possível para o termo é o de “chefe” e essa designação pode ter tudo a…

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4 POEMAS INÉDITOS DE MARCO DE MENEZES

introdução à contabilidade I quantos rostos esquecemosna parca destinação de comparsasque a existência provê aos visitantes de pai e mãe e irmãose parentes mais próximosposto que se transladamde um a outrocomo um projetor de slides enguiçadoos rostos escondemainda que familiaresum certo brilho esquisitoou uma opacidade de cera negligentesobre a tábua antiga do Seu Aquiles, o…

Sombras de um gradil

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DE ‘SPOILERS’, DE DIEGO GRANDO

PREÂMBULO PARA UM POEMA TARDIO Ir para o inferno toma tempoà cata do incidente emaranhadotoma tempo e trinta e tantastentativas, primeiras palavraspedidos de desculpa e demissão:ricocheteios de cascalhona superfície da memória. Não basta boa vontadepara chegar ao infernoé preciso o reflexo condicionadode não estar pensando e de repenteestar: voltar a si, se descobrirantes da próxima…

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LEGALIDADE – A HISTÓRIA COMO MELODRAMA RUIM – WALLACE ANDRIOLI

Filmes como “Legalidade” deveriam ser realizados com maior frequência no Brasil. Ainda que esse, em específico, tenha sido feito de forma bastante equivocada. Há diversos episódios na história política brasileira dos séculos XX e XXI que oferecem substrato dramático para o cinema, mas que são, via de regra, ignorados por produtores, roteiristas e diretores. A…

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A CARNE DO HOMEM (UM ENSAIO E TRÊS POEMAS CARNÍVOROS) – MARCUS FABIANO GONÇALVES

No gado é que dormimose nele que acordamos.Drummond, Boitempo As pessoas modernas em quase nada diferem daquele bípede implume cuja espécie autonomizou-se geneticamente há cerca de 300 mil anos nas pradarias africanas, já considerada aí a datação das recentes descobertas de fósseis de Homo sapiens no sítio de Jebel Irhoud, no Marrocos, que recuaram em mais de 100.000…

Um homem palestra diante a um pedaço de carne

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5 POEMAS INÉDITOS DE ANDRÉ MARTINS

in memoriam sufocado sob violetasele morreu silenciosamentenão saiu no jornalnão houve consternação seu nome era outonoda tribo dos equinóciostinha os mais belos diasa luz preferida por monetboa temperatura para o tinto morreu como veio ao mundoentristecidosob a copa das árvoresdeixa folhas obsoletras assim como outras máquinas e pessoasa máquina de escrever tornou-se inútilpeça de um…

Lettera 32 - teclado de máquina de escrever

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VIOLÃO COM VOZ NÃO É VIOLÃO DE ACOMPANHAMENTO – FELIPE AZEVEDO

por Felipe Azevedo (1) Em dezembro de 2010, numa entrevista feita comigo em Porto Alegre pelo Jornal VAIA,[2] para uma edição especial sobre Canção, por ocasião do lançamento do meu novo e recente disco, Tamburilando Canções – Felipe Azevedo – Violão com Voz, um dos entrevistadores, o poeta e compositor Guto Leite comentou constatar nas canções deste…

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CINEMA GAÚCHO: CONSTRUÇÃO DE HISTÓRIA E DE IDENTIDADE – MIRIAM DE SOUZA ROSSINI

A História Cultural ratificou, para o historiador, a pesquisa histórica a partir de uma variedade de objetos que, se necessariamente não são novos, sempre foram vistos com muita desconfiança pela academia. Dentre esses objetos está o cinema, o primeiro meio de comunicação audiovisual, produzido durante a expansão da revolução industrial, no século XIX. Ao contrário…

A atriz Dira Paes em cena de Anahy de las Misiones

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“ÁGUA PARADA”: O OLHAR DA MODERNIDADE NA FICÇÃO DE ALCIDES MAYA – LUCIANA MURARI

Esto que fue una vez, vuelve a ser, infinitamente;los visibles ejércitos se fueron y queda un pobre duelo a cuchillo;el sueño de uno es parte de la memoria de todos. Jorge Luís Borges, Martín Fierro Ao longo de décadas de atuação no meio político e intelectual do Rio Grande do Sul, Alcides Maya percorreu uma…

Fotografia de folha de rosto assinada por Alcides maya para Alma Bárbara

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4 POEMAS INÉDITOS DE TATIANA CRUZ

CADA CORAÇÃO cada coração é uma casa assombrada ou umcaleidoscópiolugar de armaduras, elefantes, bibelôs de viagem,aliterações, alguns ossos, um tanto demágoa, os sonhos todos, a névoa dos sonhostodos até o café preto de toda manhãcada coração são mil corações em condição detransição, num salto.todos espelhos voltados para o centro de um único coração, quepulsa à…

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LEMINGUES – LÍVIA ARAÚJO

Chegando em casa encontrei-a sentada à mesa, relaxada, tomando café. Como se me contasse sobre um fait divers visto na rua, me disse que tinha saído com um homem a esmo, achado sabe-se lá onde — o tinder? Ela me disse, na verdade, que ele esteve em nossa casa e que depois do encontro sentou-se…

Capa de Dreamlog

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DE SÍLABAS CILADAS, DE CARLOS BADIA

Longe Longea alma desce.Tece um fio d’água.Escorre num silêncio friofindo qualquer pensamento nítidolento ou rápido. É noite.Uma absurda voz interna,um miado,a rua distante, os carrose eu perdendo sanguesem feridas. Prisioneiros A atitude prisioneira do medo.O coração prisioneiro de carências.A opinião prisioneira de outra opinião.A insensatez prisioneira da coragem.A ousadia prisioneira da rebeldia vazia.O silêncio prisioneiro…

Capa de Sílabas e Ciladas

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3 POEMAS INÉDITOS DE ADRIANA BANDEIRA

VINDO De onde venhodizem-me as coisassobre o vagar calmoda esperançapor um fioe quando não foi réstia?e quando não foi frio?o andar do sempreo andar do rio DEPOIS Depois do temposem que se chame instantemomentolembro dentro lembro tantoe ainda queroqualquer sussurrobarcovento como se fosse o voltar dos diasmeio tontasem inteiro gestosnasço inconstantevertoverso por causa de qualquer…

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ERA TINHA FOI É – PLURAL FILMES

Produzido em 2013 pela Plural Filmes, “Era Tinha Foi É” é um documentário realizado em 13 episódios de 26 minutos cada que conta a vida, a trajetória e a repercussão do trabalho de Gilberto Amaro do Nascimento, o Giba Giba. Cantor, compositor e instrumentista, Giba Giba foi um percussionista reconhecido nacionalmente por popularizar o “sopapo”.…

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