‘DEZ ILHAS QUE EU LEVARIA A UM LIVRO DESERTO’, POR JORGE REIN

Por Jorge Rein

(respondendo a um antigo desafio de Adriana Bandeira)

Querida Adriana, amiga que curto e poeta que admiro. Ou seria o contrário?

Quanta gentileza a tua de incluir o meu quarentão “&” entre as tuas preferências! De uma coisa me orgulho: com certeza sou o único entre os dez autores da tua lista que já leu os outros nove. E esses nove estariam todos na minha própria lista, se repetir me fosse permitido.

Então, vamos ao desafio… Não me sinto à vontade ao embarcar nessa enrascada, porque é um tipo de escolha que me angustia mais do que ter que eleger algum político. Dez livros? De que jeito, se eu seria capaz de preencher essa lista com apenas um dos meus Três Tenores: Borges, Cortázar e Calvino? E o que faria de Poe, Kafka, Chéjov e tantos outros? E os poetas? E os clássicos? E os romances policiais que devoro desde menino? E os talentos locais, que não deixam de ser ótimos escritores apenas pelo fato de que a proximidade ou a convivência são cruéis lentes de aumento de defeitos que não têm nada a ver com a literatura?

Então, optei por apontar dez livros que me marcaram profundamente, cada um do seu modo e na sua época, e que raramente frequentam essas listas. Cada um desses dez livros levou-me a muitos outros e assim, de certa forma, são responsáveis pela rede neuronal que me mantém até hoje preso à leitura:

Obs.: A ordem é cronologicamente e qualitativamente aleatória.

1 – Pedro Páramo – Juan Rulfo

2 – Paradiso – José Lezama Lima

3 – As crônicas marcianas – Ray Bradbury

4 – Museu do romance da eterna – Macedonio Fernández

5 – O clube dos parricidas – Ambroise Bierce

6– O cavalo perdido e outras histórias – Felisberto Hernández

7 – Avalovara – Osman Lins

8 – Catatau – Paulo Leminski

9 – Cualquiercosario y otras cositas – Jorge Onetti

10 – O homem medíocre – José Ingenieros

Em tempo:

Qualquer comentário que eu viesse a fazer sobre essas obras as diminuiria. Abster-me é um dever, não um sacrifício.

Com carinho,
Jorge.

Leia mais do autor em Sepé.

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