‘AS PRIMAS’, DE AURORA VENTURINI

Por Lucia Nogueira Leiria

As primas, romance de estreia da argentina Aurora Venturini, foi lançado em 2007, quando ela tinha 85 anos. No Brasil, foi editado pela Fósforo Editora em 2022, com tradução de Mariana Sanchez.

A narrativa é contada de forma tragicômica em primeira pessoa pela voz de Yuna, uma jovem disléxica, com histórico de fracasso escolar e perspectivas de vida tão difusas quanto sua escrita. Vive numa família protagonizada por mulheres, acometida por toda a sorte de horrores, com muitas adversidades sociais, econômicas e genéticas. Em meio a essa desgraça, Yuna, dotada de habilidades artísticas, conhece o professor José Camaleón, que a incentiva em sua carreira de pintora; pela via da arte, ela consegue escapar do núcleo suburbano terrivelmente aprisionador, vivenciado em estreita cumplicidade com sua prima Petra, personagem tão marcante quanto a narradora. Graças a seu trabalho artístico, Yuna deixa aquele ambiente nefasto e vai se estabelecendo econômica e socialmente, na mesma medida em que sua linguagem se torna mais coesa e fluida, marcada por pontuação e períodos complexos.

A jornada épica de Yuna e Petra, povoada de pessoas com características singulares, como possuir uma pequena cola ou seis dedos nos pés, e de cenas de assassinatos, estupros, abortos, prostituição, é algo surpreendente, um conforto e um desassossego do início ao fim.

Leia mais da autora em Sepé.

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