‘A PAZ SEJA CONVOSCO’, DE SCHOLEM ALEIHEM

Por Celso Gutfreind

“A paz seja convosco” é uma coletânea de matérias sobre e contos do escritor Scholem Aleihem, um mestre do gênero narrativa curta. A edição é da Perspectiva, de 1966. Um luxo com direito a reflexões iniciais de Otto Maria Carpeaux, entre outras feras literárias. Scholem influenciou uma legião de escritores judeus e não judeus do Século passado, e mesmo deste, o que inclui narradores do porte de Roth e Bellow e, entre nós, Moacyr Scliar, admirador confesso do mestre. Nascido na Rússia, no meio do Século XIX, deu vida a personagens judaicos reclusos no shtetl, ou pequenas aldeias onde viviam confinados e segregados, mas com direito a uma vida plena de poesias e canções e narrativas. Scholem conheceu a fama em vida e seus tipos se tornaram imortais como o leiteiro Tev, do clássico filme O violinista no telhado. As suas narrativas mostram o melhor dessa cultura judaica, onde pulsa a vida, o mito, a história, a miséria, a capacidade de rir de si mesmo, o imaginário, a solidariedade, entre outros temas vitais da humanidade, e hoje pouco reconhecidos, no contexto de um antissemitismo estrutural, resgatado desde os ataques do Hamas e das reações de Israel, em 7 de outubro de 2023. Um autor de fôlego como Scholem oferece uma narrativa aberta, sem mensagens, mas nos dá o direito de sonhar alguma paz, em meio a capacidade de transformar o horror em arte. 

Leia mais do autor em Sepé.

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